E isto dos galináceos não tem nada a ver com a história, tirando o tema da vizinhança...
Tenho um vizinho que se tornou visita da casa há 3 ou 4 meses. Simpático, prestável, boa onda.
O vizinho tem mulher e filho, mais ou menos da idade da I. Só circunstâncias que tornariam a convivência agradável.
Mas...
... e o "mas" é obra minha; está-me no sangue, no cérebro ou noutro local qualquer, a mania de ver para além da figura, e sentir aquilo que é imperceptível para os demais. Costumam brincar comigo porque "elas vêm no ar e eu já as estou a apanhar".
O tal vizinho, na primeira visita lá a casa, comenta, sem ninguém lhe perguntar, que o olho negro da mulher foi uma queda na escada do quintal...
Nessa mesma visita leva meia dúzia de filmes para ver... até hoje e já lá vão 3 meses.
Pede-me a única coisa que me faz encolher: um livro emprestado (peçam-me tudo, mas livros, só a quem conheço e bem).
Nas festas da terra, em patuscada onde estava mais de uma dezena de vizinhos e respectivas famílias, volta a comentar com a mulher que o olho dela está menos inchado, ao que ela responde que é um treçolho (e não, não era o mesmo olho da outra vez). Quando o filho mostra vontade de comer qualquer coisa, um simples olhar do pai é dissuasor.
Passou a ser companhia assídua nas noites de Verão, a pontos de me enjoar tanto convite para café e caipirinha.
Andava a preparar uma surpresa em forma de quadro para o meu aniversário, com a conivência de quem vive comigo. A intenção era a melhor (pelo menos de quem lhe encomendou a "obra"), mas caiu-me mal a forma como fui retratada. Sem culpa para o pintor, que não o ter reforçado aquilo que acho serem as minhas "fealdades".
A gota que fez transbordar o copo da minha desconfiança surgiu por acaso, após um pontapé que devia ter sido numa bola e acabou por partir o dedo do guarda-redes. Coincidentemente, depois de lhe termos recusado um convite para almoçar, porque já tínhamos combinado almoço com outro dos nossos vizinhos...
E aquele ar de tristeza na cara da mulher, tipo burqa, não sei, não.
Manias? Talvez...