Quando a I. tinha 18 meses, precisamente quando se considera que os bebés são "anti-sociais", fui obrigada a deixá-la num infantário, por motivos de força maior. Entenda-se "força maior" as expressões de contrariedade, cansaço extremo e favor, que aguentava diariamente aos meus pais.
A consequência imediata de a ter separado do ambiente, apesar de tudo, confortável, da casa dos avós, foi uma diarreia cinzenta e líquida durante um mês, que quase a levava à desidratação.
Por contingências da vida, até aos 6/7 anos de vida da I., o tempo que os pais tinham disponível para ela limitava-se às noites (depois das 8 e meia) e às tardes de Sábado e Domingo.
Tudo isso me levou a fazer opções drásticas na vida, desde acabar com o negócio privado que me dava um segundo ordenado, até mudar de casa para "longe", com o único objectivo de lhe poder proporcionar MAIS.
O mesmo objectivo com que tento ceder aos desejos dela sem os tornar caprichos, procuro dar-lhe oportunidades de convivência com outras miúdas da idade dela, coloco-me na faixa etária dela para a tentar compreender.
Hoje é um dia difícil. Depois de várias tentativas de saber em concreto se ela queria ir ou não e de uma desistência tornada inscrição à última hora, lá foi para um campo de férias. Onde é suposto ficar até dia 19. O fim de semana, que devia ter sido de expectativa e excitação, foi de saudades antecipadas e renitência extrema em ir.
À despedida, não sei se ela se preparava para a forca ou se era eu que tinha a cabeça no cepo.
Já chegou e telefonou, queixando-se do quarto, do sítio, do tempo, de tudo...
Próximo capítulo: saída disparada de Lisboa a caminho da Praia Azul para a devolver ao nosso regaço.
Apostam?
No meio de tudo o que disse, alguém me ajuda e descortina, para além do óbvio, onde foi que eu errei?