terça-feira, janeiro 31, 2012
sexta-feira, janeiro 27, 2012
30 anos
É toda a minha vida. Pelo menos a que vale a pena lembrar.
Para trás havia um enorme buraco onde me enfiavam todos os dias, disfarçado de redoma nuns dias, vestido de cela, noutros.
A partir de 27 de Janeiro de 1982, descobri que havia mundo para lá do núcleo de 5 ou 6 pessoas com que me era permitido contactar.
Se aproveitei ao máximo esse mundo, duvido. Se desperdicei parte dele, com certeza. Se confundi muita coisa pela dependência que criei, também.
O resto, foi ir fazendo das fraquezas forças, o que nem sempre consigo. Mas merece que consiga.
quarta-feira, janeiro 25, 2012
segunda-feira, janeiro 23, 2012
Justiça divina ou whatever
Ao Sr. Benemérito e Solidário que participa nas campanhas da Modalfa para ajudar sei-lá-o-quê e que, por trás dessa cara de filantropo, abandona gatos à porta dos canis, mesmo depois de devidamente esclarecido da inexistência de gatil, a justiça tarda mas não falha! Próximos Jogos Olímpicos em 2016... (se calhar era melhor evitar excesso de actividade sexual com a bimba que falava por ele quando abandonaram o gato, porque isso pode agravar as lesões)
sábado, janeiro 21, 2012
(Des)feita para isto
Todos dizem que nasci para fazer o que faço.
Talvez ainda ninguém note que aquilo está a acabar comigo aos bocadinhos.
Talvez ainda ninguém note que aquilo está a acabar comigo aos bocadinhos.
sexta-feira, janeiro 20, 2012
Coincidência ou premonição
Mesmo antes de se vestir, o V. começa o dia sentado à frente do quadro de desenhar, a fazer caras (carantonhas) da mãe, do pai, da Nê, etc. São figuras ovais, com os olhos no extremo superior, muito juntos, um risco enorme até abaixo, que representa o nariz, e um traço horizontal quase pegado ao fundo, que ele diz que é a boca. Reconheceria um retrato feito pelo meu filho no fim do mundo.
Ontem, pela primeira vez desde que se iniciou este ritual, a cara desenhada foi a do Avô Mané.
Por coincidência, ou não, recebo hora e meia depois uma sms do meu pai, que estava em Santa Maria.
Começo a achar que este meu filho tem um não-sei-quê de bruxo.
quarta-feira, janeiro 18, 2012
O esquecimento não tem arte
"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
quarta-feira, janeiro 11, 2012
Desligada
"Já não sei o que te diga mais... parece que morreste."
Não direi tanto... alguém me avariou o botão.
Não direi tanto... alguém me avariou o botão.
terça-feira, janeiro 10, 2012
Dobro
Alguma razão justificará o facto de demorar o dobro do tempo a fazer o trajecto S.B.-Odivelas.
Recuso-me a aceitar que sejam mais cinco ou seis anos de idade.
(já fiz aquilo em 4 ou 5 minutos... jesus...)
segunda-feira, janeiro 09, 2012
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