Acho piada aos novos-chefes. Assim como acho aos novos-ricos.
Começaram como porteiros da organização (não empresarial, mas partidária), subiram a pulso (leia-se murro) e à custa de rasteiras pregadas subrepticiamente às pessoas certas e nos momentos-chave. Foram distribuindo palmadinhas nas costas das pessoas influentes, enquanto coleccionavam podres que usariam mais tarde como moeda de troca.
Finalmente chegados ao poleiro, começam por organizar o estaminé da forma que mais lhes convém. O que inclui arrumar pastas e pessoas em prateleiras estratégicas.
Pé ante pé, vão tomando conta do espaço físico. Estendem os seus tentáculos a áreas fora da sua competência, sob o pretexto de inovarem.
São minuciosos e preciosistas, embora compinchas de manhã e déspotas à tarde. Ameaçam com processos disciplinares quem ousa desviar a rota que traçaram a bem do serviço.
Quando finalmente impõem a sua maneira de estar e ser, e a engrenagem da chefia rola, dão a estocada final, estabelecendo um rol de normas, regras e procedimentos, que mais não asseguram que a sua própria continuidade na teia do poder e obrigam a obediência cega pelos subordinados. Nestas normas, obviamente, definem com precisão a hierarquia, sendo que o elo mais fraco não tem que se lhes dirigir, mas apenas reportar ao elo seguinte da cadeia, e assim sucessivamente.
Exercem vigilância extrema sobre cada acto e cada vírgula produzidos pelos subalternos, não vá a incompetência alheia manchar a sua autoridade.
Entretanto, a quem os topa, mas cuja área de intervenção é de tal modo técnica e específica que não conseguem controlar, dirigem falinhas mansas e passam a mão pelo pêlo, porque nunca se sabe quando irão precisar de supporters.
E ai de quem os enfrente... é puxar dos galões, vilanagem...