Escovei-lhe o cabelo.
Dei-lhe a sopa, colher a colher, devagar e pacientemente (só faltou dizer: "esta é para o pai, esta é para a mãe"...).
Inventei mil histórias por cada garfada de frango com batatas que lhe consegui enfiar.
Ajudei-a a beber nos intervalos da fatia de pão-de-ló, que comeu dos meus dedos.
Há uns anos, muitos, era ela quem me punha à varanda e acompanhava com histórias o pesadelo das minhas refeições. Ou que tentava fazer-me gostar de cozinhar, retirando da sopa que estava ao lume, uma cenoura, uma batata, uma folha de couve e um alho, que juntava à água da panelinha das bonecas e punha a ferver. Depois anunciava ao mundo que tinha sido a Janeca a fazer a sopa.
E não havia pó para limpar, casa por arrumar, comida por fazer, que a impedisse de se sentar comigo no chão a brincar. Primeiro estava a sua Janeca.
Mãe a dobrar.
Tomara eu dobrar o tempo que ainda vou ter com ela.
4 comentários:
entendo que queiras viver cada momento ao segundo e prolonga-lo pela eternidade... adorei este post, simplesmente adorei este bocadinho de ti e da tua avó!
Tá difícil aceitar que esses bocadinhos têm necessariamente que ter um fim. Só espero que esse fim ainda esteja muito longe.
... não consigo dizer nada, emocionaste-me. Vale um beijinho sem mais palavras?
Esses beijinhos valem mais que mil palavras. Obrigada
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