São poucas as vezes em que me lembro de ver a minha filha exteriorizar emoções. Sempre contida, introvertida, só algumas pessoas conseguem perceber o que vai para lá da máscara. Chega a parecer insensível, distante, fria.
Em plena adolescência, essa introversão raia a má educação.
Só houve, até hoje, duas ou três situações em que a I. rebentou de emoção: a primeira, aos treze anos e meio, quando pegou no irmão recém-nascido ao colo, num misto de deslumbramento e estupefacção pelo sonho finalmente concretizado.
As outras duas relacionadas com os 30 STM: na tarde em que esteve com a banda no backstage do Pavilhão Atlântico e, à saída, tinha uma nítida aura de felicidade que lhe envolvia o sorriso e as palavras; e na sexta-feira passada, quando finalmente secou as lágrimas de susto e viu o triad a ser colocado em palco, depois de quatro horas de incerteza e espera da notícia do cancelamento do espectáculo.
Sei que na idade dela todas as paixões são intensas. Mas assusta-me esta fidelidade cega, que já dura há 3 anos e não há meio de acalmar.
E deixo de ter argumentos quando ela me diz que precisa de uma nova data; de um concerto, de uma (outra) ida ao estrangeiro atrás deles, de qualquer coisa que lhe dê um objectivo.
As dependências assustam-me.
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