segunda-feira, dezembro 20, 2010

Dúvidas

Entre tomar e não tomar a medicação, desmamar e não desmamar o meu filho, entalar ou não entalar a "cabra" da colega antes que ela me tente entalar a mim...
Entre chorar e não chorar ao som de certas músicas, bastante improváveis ("Do They Know It's Christmas" e "Creep" natalício (?!))...
Entre deixar-me cair no tão ameaçador esgotamento ou saltar fora, cumprindo as ordens do médico.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Quebra do elo

No fundo, é como se ela estivesse sempre lá, sem que estivesse de facto.

Desde sempre que me lembro do seu mexer invisível dos cordelinhos da família, muitas vezes incómodo, porque tocava o obrigatório, em vez do desejado.

No Natal, era "obrigatório" ir lá almoçar; em cada aniversário, era "obrigatório" reunir a família. E a "obrigação" tornava-se rotina subtil e intrínseca, raramente contestada.

Aquele "quando é que eu vos vejo?" pleno de dependência de terceiros, por imobilidade involuntária e causada pela velhice, doía-me, mas raramente lho mostrava, tentando antes minimizar o problema com a loucura do dia-a-dia, que não me possibilitava ir lá a casa todos os dias, nem mesmo todas as semanas.

E os cuidados com "o menino", como se eu fosse uma mãe inexperiente ou irresponsável...

E as "desculpas" por gostar tanto de nós, que raiava a obsessão.
E porque não consigo aceitar que este fim era inevitável? Se até estava anunciado há muito? Alguém me disse que nunca se supera a morte dos avós, porque é uma falha irreparável e o fim de uma geração. No meu caso, a minha avó era mais que isso: foi minha segunda mãe (e minha primeira até aos 4 anos), e faz falta para manter unida esta pequeníssima família, de que tenho tão pouco orgulho.
Só passou um mês e meio e o castelo de cartas desmoronou-se totalmente.
Fazes-me falta, Vó.
(ainda não consegui desatar a totalidade do nó, faltam algumas pontas...)

segunda-feira, outubro 25, 2010

Mais de 1 mês passado...

... e ainda não consegui desatar o nó.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Applebottom

O ritual das manhãs inclui ligar o televisor à hora em que transmitem uns desenhos animados recentes, sobre uma terra fantástica de animais falantes, chamada "Animalia". À primeira vista é assustador, porque os bichos são "semi-reais", sem intenções de serem retratados pelo seu lado mais terno.
O que é certo é que o meu filho adora aquilo e vai emborcando os dois iogurtes que servem de pequeno-almoço abrindo a boca automaticamente à medida que desfilam a Zoe e o Alex (os dois putos da história), acompanhados pelo leão (Livingstone), pela iguana (Iggy), pelo tigre, as zebras, etc.
Há um gorila com um nome esquisito, bissilábico (não me lembro qual), que no outro dia mudou de personalidade e dizia chamar-se Peter Applebottom.
E não é que o Vasco, trapalhão a falar a pontos de dizer "bóda" em vez de bola, diz certinho e direitinho "applebottom" como quem diz "maria"? E repetiu vezes sem conta, sem ser preciso eu pedir, até que toda a gente acreditasse na façanha...

terça-feira, agosto 24, 2010

WTF??!!

Que se dane!

A atracção inevitável pelo abismo

Ou, neste caso, por uma pilha infindável de papéis e as correspondentes chatices, pelas visitas aos reclamantes, as razões dos reclamados e as queixas (silenciosas, saravá) dos bichos.

Em suma, adoro trabalhar em stress.
Confesso.
Pica. Purinha.

terça-feira, julho 13, 2010

Limbo

Antigamente dizia-se que as crianças que não eram baptizadas, ficavam no limbo, a meio caminho do paraíso, cheias de sede, em frente a uma fonte onde não conseguiam chegar para beber.
Sinto-me assim: tão perto de concretizar alguns objectivos, mas sem me deixarem lá chegar.
As férias serviram para desanuviar a cabeça, mas o regresso trouxe à tona todas as preocupações e incertezas.
Promessas vãs, outra vez?
Apenas a certeza de mais trabalho, sem compensação à vista.

quinta-feira, junho 17, 2010

Esquisito

Reler-me e ver a transformação por que passei nestes últimos 5 anos.

Nunca esquecer

Até as cerejas brancas têm bicho.

terça-feira, junho 08, 2010

Sinal

Preciso de um sinal de que ainda cá estás.

sexta-feira, maio 14, 2010

Fora das previsões

O que a Eva não previu foi a notícia de que a vida do meu pai está a prazo. Como a de todos nós, afinal, mas a dele mais do que a nossa.
Também não previu que se me abalassem os alicerces a este ponto; de não conseguir chorar, mas estar desfeita por dentro. De fazer continuamente cenários de como vai ser o futuro sem ele, de como vai reagir a minha filha sem o seu avô especial.
E esta revolta que sinto pelo azar de toda a situação, pela injustiça de sujeitar alguém que já venceu um tumor maligno, a ter de lutar contra outro, igualmente mauzinho; mas lutar poucochinho, como se a idade já não valesse a pena, como se já lhe estivessem a faltar as forças, como se tivesse atingido os seus limites...
Não seria tudo isto "against all odds"?
E a sensação de impotência por não poder fazer nada a não ser aguardar pelas sessões de radioterapia, porque ele se recusa (??) a fazer cirurgia.
E a raivazinha interior porque alguém lhe deu tamanho desgosto há três anos, sem ter esse direito.
E sei lá mais o quê.

terça-feira, maio 04, 2010

As conclusões da Eva

Que tive uma perda emocional grave recentemente.
Que tenho o dom da medionidade.
Que bloqueio as minhas emoções.
Que devo contemporizar na relação com a minha mãe, que também não teve uma vida fácil.
Que vou ser promovida, sujeitando-me a invejas.
Que me arrisco a tornar-me arrogante por ter razão e não ser humilde.
Que o meu filho é especial: uma criança Indigo, condição muitas vezes confundida com hiperactividade, mas que é uma hipersensibilidade destinada a cumprir uma missão.
Que um dos meus filhos vai mudar de escola mas tudo vai correr bem.
Que receberei a visita inesperada de alguém de um passado distante.
Que o meu marido se está a ir embora, mas o casamento vai-se manter; ou seja, há uma ausência emocional da parte dele.
Que a minha "pedra no sapato" ainda ronda.
Quando o discurso acabou, senti-me dividida entre o que esperava e o que não queria ouvir.

segunda-feira, abril 26, 2010

Elevador do Ikea

É um sítio como outro qualquer para pormos em dia uma escrita atrasada há meses (anos?).

sexta-feira, abril 23, 2010

Balde de água fria

E afinal o vulcão reteve a Eva num qualquer país exótico e lançou um balde de água gelada sobre as minhas expectativas. Bolas.

quinta-feira, abril 22, 2010

Eva

Em pulgas pelo dia de amanhã.

terça-feira, abril 20, 2010

Objectivos

Se me dissessem que, aos 18-quase-19 meses do meu filho, eu o estaria a amamentar, acharia graça de tão irreal que tal me pareceria.
Mas é verdade. Ao fim de todo este tempo, continuo a dormir com ele na cama e a dar-lhe de mamar, sempre que ele pede, o que é frequente, de noite e de dia.
Primeiro tenho que o habituar à cama dele.
Depois, tenho que o desmamar.
E por fim, tenho que me desapegar.
O último objectivo é o mais difícil de conseguir concretizar.
Tal é o "pedacinho de céu" (expressão da minha mãe) que me acompanha as noites.

quarta-feira, abril 14, 2010

Passwords e carácter

Às vezes preciso de levar nas trombas para ter a noção da dor do impacto.

terça-feira, abril 13, 2010

Procura-se

Reacção causa-efeito.

terça-feira, março 30, 2010

Porto de abrigo

Sabe bem voltar a este cantinho e desabafar, sem me preocupar com quem lê.

sexta-feira, março 26, 2010

Psicóloga

Passados 5 anos, voltei à psicóloga.
Basicamente, sinto-me só. Falta-me qualquer coisa, existe um vazio dentro de mim por preencher. Não sei que raio de poder ela tem para me pôr sempre a chorar de cada vez que lá vou. Talvez sejam as perguntas, nuas e cruas: "Está a criar um toxicodependente?", "Arranjou outro amante que pôs na cama entre si e o seu marido?", "Acha que não merece melhor?".
Próximo passo: terapia de casal.