Ao jantar.
O cão debaixo da mesa mete-se com os pés do puto e não reage aos repelões que lhe vou dando, até que sou mais veemente. Quando me perguntam o que fiz, respondo "nada de especial: fui só assertiva, ou seja, acertei-lhe".
O puto brame o garfo perigosamente na direcção do cão. Aviso-o que não gosto de tortura; se é para morrer, que seja rápido, furar os olhos do bicho é que não.
Depois de vezes sem conta a ser repreendido, o puto fica ofendido, sai bruscamente da mesa, vai até ao sofá, enterra a cabeça entre as mãos, suspira e faz o caminho de volta à mesa...
Continua a portar-se mal e alguém lhe pergunta se é autista (neste caso, sinónimo de surdo).
Falta a luz e, entre a correria de ir buscar uma lanterna e evitar que o miúdo se assuste com a súbita escuridão (do resto, não parece ter resultado mossa), pisa-se a vingança do cão e espalha-se a dita pelo chão da sala. A seguir, como aliás me parece que passo as noites, é andar de pedrinha em pedrinha, para não pisar a merdinha.
Noites destas, tipo Family Guy, gosto mais de assistir nas TVs (casas) dos outros. Até costumo rir.
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